A Greve Geral

As greves, e mais concretamente a adesão às mesmas, têm que ser avaliadas não apenas pelos números concretos da adesão (se é que os mesmos existem), mas também de acordo com a situação actual do país.


Os números apresentados pelo governo são baixos, demasiado baixos para a onda de descontentamento que o governo do Sr. José Sócrates enfrenta actualmente. Bastará, para tal, verificar a percentagem de concordâncias com a mesma.


Então, como explicar a baixa (se é que foi) adesão dos portugueses à mesma. Penso que podemos apontar diversos motivos, que poderão estar nessa origem:





  1. O medo motivado pela tentativa de criação de listas nominais de grevistas, ao qual se poderá associar algumas tentativas de pressão dos directores de determinados profissionais;




  2. O número elevado de pessoas com contratos com prazo, ou a recibo verde que existem na função pública e no sector privado;




  3. O número de desempregados não poderá também ser esquecido, principalmente se associado aos dois pontos anteriores. É a velha lógica da oferta e da procura;




  4. Baixos salários e um fraco poder de compra. Nestes casos, um dia de salário, pode ter bastante significado nas contas finais dos trabalhadores portugueses;




  5. A importância dos grevistas... um caso concreto: à partida, a greve de uma administrativa num centro de saúde não causa grande impacto. percentualmente falamos é algo com pouco (ou nenhuma) relevância. Contudo, a mesma faltar, significa que todos os utentes a serem atendidos nesse dia pelos diferentes médicos (mesmo com eles presentes - como foi o caso), dos quais a mesma é responsável, ficam sem o serem. O impacto é elevado, mas a percentagem é baixa.




MAV

publicado por MAV às 22:49