Uma Oportunidade Perdida...

Já o disse em alguns locais: O processo de Bolonha, no âmbito da reestruturação do ensino superior em Portugal era uma oportunidade de ouro para conseguir por ordem no ensino das ciências sociais e humanas no nosso país.


Em alguns casos isso foi conseguido. Na psicologia, por exemplo, foi proibido que as mesmas tivessem "sufixos". Isto é, os primeiros ciclos em psicologia, tiveram que ser apenas em psicologia e não em "psicologia clínica" ou outra qualquer. Para isso, serviriam os mestrados (integrados ou não).


Para além disso, poder-se-ia ter reestruturado as estruturas curriculares das licenciaturas, adaptando-as à realidade e ao conhecimento científico internacional, adaptando também, desta forma, as práticas clássicas de intervenção.


Na "minha área" apenas se conseguiu reestruturar (homogeneizando) os nomes dos primeiros ciclos de formação. Embora não concorde com a designação, todas as "licenciaturas" passaram a ser denominadas de "serviço social". Pessoalmente preferia (por defeito - ou não - de formação) a designação internacionalmente adoptada, ou seja, trabalho social. Mas este aspecto será, para já, aguas passadas.


Mas voltando a Bolonha...


Este processo foi, na área do serviço social, um momento perdido. Um período em que se poderia (ou deveria) ter feito muito mais.


Poder-se-ia ter pensado (e ido) mais além, no que se pretenderia para uma profissão para o século XXI, onde o cliente estivesse no centro da intervenção, aproveitando os conhecimentos actualmente existentes (mas que parecem ainda não ter chegado a Portugal) para transformar as estruturas curriculares (especialmente) dos primeiros ciclos de formação.


Não defendo que esqueçamos os modelos clássicos (casos, grupo e comunidade), visto que estes poderão ser uma base para a intervenção. Mas apenas isso, a base que serviria como alicerces para uma nova metodologia profissional em Portugal. Essencialmente, uma nova forma de pensar e actuar profissionalmente.


Bolonha deveria também ter pressuposto a criação de formações iniciais, a serem complementadas (no âmbito de especializações) pelos mestrados. Aliás era essa mesmo a ideia. Mas assim não aconteceu em Portugal.


Readaptaram-se as designações das licenciaturas, mas os problemas continuaram e continuarão.


Repare-se, por exemplo, na nova licenciatura em Gerontologia Social da Universidade Lusíada de Lisboa. Esta área (como se pode verifica nas saídas profissionais) enquadra-se completamente dentro do serviço social.


Então, porque não criar estes ciclos de formação, como os quais concordo, mas numa lógica de segundo ciclo (vulgo mestrado) para formações iniciais (primeiro ciclo) na área do serviço social?


Talvez seja tarde, mas e "mais valendo tarde do que nunca" não será preferível e importante fazer um momento de paragem? Paragem para pensar naquilo que realmente queremos. Paragem para pensar e estruturar uma profissão actual, moderna, e teoricamente sustentada...

publicado por MAV às 13:49