“Centro de Noite para alcoólicos pode ser solução”

No passado dia 16 de Março, e à margem do congresso ("Toxicodependência: Olhares dos Diferentes Técnicos") em que participei*, e entrevistado para o Jornal Regional "O Informativo", abordei uma questão que há alguns anos defendo:A CRIAÇÃO DE CENTROS DE NOITE PARA ALCOÓLICOS




Relativamente à peça informativa que daí originou, gostaria de fazer umas breves considerações. Contudo, e antes de me debruçar sobre esse assunto, uma pequena nota introdutória:




Não sou, ao contrário do que se refere nessa notícia, técnico superior de serviço social. Por dois motivos:

1º Não sou funcionário público e por isso não estou enquadrado em nenhuma carreira de técnico superior;
2º Mesmo que tal acontecesse, não ser técnico superior de serviço social, visto não ser licenciado em nenhuma das licenciaturas que permitem esse acesso (serviço social e política social), mas sim licenciado em trabalho social.


Após esta breve introdução, vamos ao que realmente interessa:




Defendi, como refere a notícia e como há muito acredito, a criação de uma nova resposta social para alcoólicos.




As justificações para a defesa e proposta desta resposta social resultam da necessidade de criação de respostas que vão ao encontro das reais necessidades das pessoas, sendo que esta é uma resposta, que considero, de especial importância nas regiões do interior (por esse motivo a proposta da mesma em Bragança), visto que os papéis de género ainda estão bastante presentes e que o alcoolismo é ainda, infelizmente, uma realidade cultural...




A verdade é que, o homem, especialmente nestas regiões é, em muitos casos, a única fonte de rendimento da família, sendo, desta forma, complicado que um indivíduo entre num programa de tratamento que tem a duração mínima de dois ou três meses (como é necessário para uma tratamento à dependência psicológica), deixando de garantir, desta forma, o sustento das famílias.




Um centro de noite permitiria, não apenas que a pessoa ficasse inserida na social e profissionalmente, mas também continuar a contribuir financeiramente para o agregado. Ao mesmo tempo possibilita uma intervenção mais integrada, mais estruturada, e não apenas uma intervenção ambulatória, com entrevistas de uma hora, de duas em duas ou de três em três semanas, que apenas tem como objectivo a recuperação da dependência fisica (necessária, mas não suficiente).




Obviamente, que esta resposta, não seria um fim em si mesma, mas um meio... mais uma contribuição para ser aplicada nos casos em que tal seja necessário para satisfazer as necessidades da pessoa alcoólica.




Obviamente, também, seria uma das respostas e não a resposta, devendo ser integrada com outras destinadas não só ao indíviduo, mas também à sua família. Concordo, como refere o Dr. Fernando Andrade (Director do Centro de Atendimento a Toxicodependentes de Bragança), que os Alcoólicos Anónimos e a criação de grupos de auto-ajuda seriam importantes, mas não acredito que seja o suficiente...




* A apresentação efectuda pode ser consultada nesta página.
**Em relação a este aspecto, muito se poderia discutir, mas não é esse o objectivo deste post.

publicado por MAV às 17:41